História do cubo mágico

Em 1974, Erno Rubik, com trinta anos, ainda não sabia que alguns anos depois se tornaria o primeiro milionário oficial do Bloco de Leste. Ao criar um material didático para seus alunos, ele abalou o mundo. O famoso cubo mágico deveria explicar os fundamentos da teoria dos grupos a estudantes com dificuldades. Na época, Erno Rubik lecionava design industrial e arquitetura na faculdade de design de interiores da Academia de Artes Aplicadas de Budapeste.

A história do cubo mágico não cabe em poucas palavras. O conceito amadureceu ao longo de vários anos. A ideia inicial de um brinquedo com 27 cubos coloridos (156 faces coloridas) foi simplificada para 26 cubos pequenos com 54 faces externas. O cubo interno foi substituído por um engenhoso mecanismo de união.

Amigos e alunos de Rubik foram os primeiros testadores. O próprio Erno, no início, não sabia como resolver o cubo e levou um mês na primeira tentativa.

Em 1975 surgiu a ideia de patentear a invenção, o que foi feito, mas o primeiro lote industrial só saiu no final de 1977. Os primeiros cubos foram feitos em uma pequena cooperativa de Budapeste no Natal de 1978 e chamados de «Cubo Mágico». Alguns desses cubos chegaram à URSS.

A história poderia ter terminado aí, mas Tibor Laczi entrou em cena para salvar a invenção. Laczi morava na Alemanha, mas era de origem húngara e visitava Budapeste com frequência. Em uma viagem, viu o quebra-cabeça nas mãos de um garçom em um café. Apaixonado por matemática e empreendedor de informática, Laczi percebeu o potencial do cubo e contatou o inventor. Tom Kremer — criador de jogos de sucesso e fundador da Seven Towns Ltd — também se juntou ao projeto.

Com o novo trio, tudo foi melhor e em 1980 o mundo conheceu o Cubo de Rubik com esse nome. A Ideal Toy Corporation comprou a licença de produção e fez o primeiro pedido de um milhão de unidades. O pedido foi repetido cem vezes naquele ano, e as falsificações foram ainda mais numerosas.

Na Europa, o cubo licenciado apareceu em maio de 1980; na URSS, a venda em massa começou em 1981. Algumas fontes dizem que a URSS pagou mais de 3 milhões de dólares pelos direitos. No início, o cubo era obtido «por baixo do pano» e por indicação. As lojas muitas vezes limitavam a duas unidades por pessoa, e as filas se repetiam. Em alguns casos, cubos licenciados eram usados como suborno. Em certos países, restaurantes colocavam o cubo na mesa ao lado do saleiro.

Naqueles anos, uma em cada dez pessoas em países desenvolvidos era fascinada por resolver o cubo. Não havia limites de idade, educação, status, gênero ou nacionalidade. Todos jogavam em todo lugar. O cubo mágico virou um dos presentes mais esperados em aniversários e Ano Novo. Surgiram competições informais e depois oficiais, e os primeiros campeões apareceram.

Como resolver o cubo mágico interessava até quem não tinha um. Em 1982, a revista «Young Technician» publicou um artigo com ilustrações sobre como fabricar o cubo em casa.

Na URSS, a imprensa criticou inicialmente o «cubismo» burguês que «matava o tempo», mas a crítica logo cessou. Talvez as autoridades tenham dado ordens, ou os críticos tenham sido infectados pelo vírus do cubo — em breve a respeitada revista «Science and Life» publicou «Como resolver o cubo mágico» ao lado de artigos sobre o espaço. A popularidade disparou de novo e fórmulas como P2FP2F1... eram ouvidas em todo lugar.

Para que quem não conseguia resolver não ficasse furioso, vendiam-se machados de plástico para destruir cubos «irresolvíveis».

Em Budapeste, em 1982, foi realizado o primeiro campeonato mundial oficial com participantes de 19 países. Venceu Minh Thai, estudante de 16 anos de Los Angeles, com 22,95 segundos. O recorde mundial atual do cubo tradicional é 7,08 segundos, por Erik Akkersdijk, adolescente holandês. Erik é campeão em todos os tipos de cubo, de 2x2x2 a 5x5x5.

Essa foi a era do pico de popularidade. Depois a demanda caiu porque havia cubos demais — quase todos já tinham um. A produção quase parou; desde 1983 era difícil encontrar cubos nas prateleiras.

Em 1985, a Seven Towns de Tom Kremer readquiriu os direitos e retomou a produção até 1991. A segunda onda veio em 1996, quando 300 mil unidades foram vendidas nos EUA.

Para referência: o cubo mágico ganhou o prêmio nacional húngaro de melhor invenção, concursos de melhor brinquedo na Alemanha, França, Reino Unido e EUA. Desde 1981 está na coleção do MOMA (Museu de Arte Moderna de Nova York). Em 1988 foi fundada a Fundação Internacional Rubik, que apoia jovens inventores.